quarta-feira, 14 de março de 2012

De volta

Depois de tantos meses de afastamento estou de volta. Por razões que não cabem aqui, parei de postar matérias e quase desisti do blog, porém os apelos dos amigos mais próximos trouxeram à tona a vontade de escrever e compartilhar novamente minhas experiências com vocês. Neste tempo afastado continuei pescando, é claro, então tenho algumas postagens na ¨geladeira¨ aguardando sua vez. Começarei com uma pescaria de lambarís que fiz na companhia do meu amigo Bernardo, que, aliás, foi um dos responsáveis pelo minha retomada do blog.
Os que acompanham o blog sabem que adoro a pesca de peixes pequenos, em especial do lambarí. Desde que me mudei para Ribeirão Preto vinha procurando um local para pescá-los próximo de casa, sem sucesso. Até encontrei algumas lagoas e trechos do rio Pardo onde era possível fisgá-los, más a pescaria que eu gosto, que é feita em pequenos rios de água cristalina e corredeiras, estava distante da minha realidade, pois este tipo de curso d’água não é comum aqui na região.
Essa realidade mudou quando descobri um riacho com essas características a apenas 35 km da minha casa. O dia que fiz a descoberta foi um Domingo à tarde durante um passeio com minha esposa e estava sem minha tralha de fly, más mesmo assim pude constatar a presença dos peixes quando joguei farelo de pão na água e imediatamente foi atacado por um cardume de lambarís. Imaginem meu desespero. Pronto, agora teria que segurar a ansiedade por uma semana até que pudesse voltar e colocar minha varinha #2 para trabalhar.
Durante a semana atei umas ¨duzentas¨ moscas e convidei o Bernardo, que também é fanático por lambarís, para conhecer o local.
No sábado seguinte lá estávamos nós de wader e wading shoes para explorar o local.
O riacho serpenteia por entre uma mata ciliar bem preservada e tem águas cristalinas que correm sobre pedras e um fundo arenoso.
O trecho que iríamos pescar passa dentro de uma propriedade particular na qual o dono é extremamente zeloso e preocupado com o meio ambiente, não permitindo que nenhum peixe seja abatido.








Logo nos primeiros arremessos começaram as capturas. Era um atrás do outro. Apesar de não serem grandes nos proporcionavam muita satisfação, principalmente ao Bernardo, com sua vara Sage #000 (que inveja!rrrrr).




Usamos basicamente pequenas larvas de midges atadas em anzóis #16 ao #20 já que os peixes não se animaram em atacar nossos dryflies.
Durante umas quatro horas pescamos e soltamos muitos peixes e tiramos inúmeras fotos desse pequeno paraíso.




Depois desse dia, este local entrou definitivamente para nossa lista de favoritos e voltamos lá sempre que podemos. Algumas vezes a pescaria é boa, outras nem tanto, más o importante é que agora temos nosso ¨riozinho no estilo¨ (como diria meu amigo Gregório) para pescar estes pequenos valentes.
Abraço a todos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fox Séries



Creio que cada mosca pode ter uma história particular, cada padrão pode envolver um momento de criação e o uso de materiais que por vezes imaginamos que vão funcionar para determinados modelos. Assim quando modificamos ou criamos um determinado padrão existe esse maravilhoso momento de combinar esses elementos, pensando em posteriores pescarias e na satisfação de capturar algum peixe com nossa mosca. Há alguns anos que me dedico a atar minhas moscas e o prazer sempre de montar a morsa abrir as caixas de materiais, escolher anzóis, sempre me renova, ainda mais pensando em uma pescaria determinada, um peixe que espero pescar, um lugar, um âmbito que desejo curtir, a busca de uma experiência plena.
Como disse antes, cada mosca tem sua história e esta que apresento agora tem sua origem em uma viagem de férias para Argentina. Estando na casa dos meus pais, minha mãe arrumava um dos guarda-roupas e percebeu que num canto tinha guardada uma antiga estola de raposa, ela tirou e me mostrou. Imediatamente a minha reação foi pedir essa pele pensando obviamente num material para atar algumas moscas. Como já realmente não interessava mais para minha mãe conservá-la, me deu sem objeções. Eu revisei a estola que estava em ótimo estado e imediatamente vieram na minha cabeça uma série de modelos, principalmente streamers. Passada esta história de conseguir o material e de volta para casa vieram as sessões de atado. Atei em primeiro lugar alguns Muddlers que ficaram muito bons, combinando a asa do streamer feita com a raposa e cabeça de pêlo de cervo (muddler). Usei com sucesso essas moscas na Patagônia na temporada seguinte, ficando satisfeito pela mobilidade e naturalidade da mosca quando estava na água. A ação do pêlo de raposa na hora de “nadar” é muito interessante.
Depois de pesquisar mais modelos feitos com o dito material comecei a pensar em algum padrão que combinasse simplicidade, que seja atrativo tanto para pescador quanto para o peixe. A escolha de material natural para este atado é uma predileção minha. Somente usei um material sintético para brilho (cristal flash). Assim a combinação do pêlo da estola (fox tail) com o dubbing de raposa colorido, somado a um pequeno chumaço de cristal flash decantou na “Fox series”. Um grupo de moscas que combinam a sobriedade do pêlo natural e as cabeças coloridas, simples, fácil de fazer. A opção de um anzol de haste curta foi para simplificar a questão do copo da mosca, ela não leva nenhum material neste sentido. Adicionamos também os olhos de metal para que ela afunde rápido. Este item pode ser opcional.




O procedimento de confecção é muito simples. Ata-se no anzol os olhos de metal, logo depois o chumaço de kristal flash, um pouco antes da curva do anzol atamos o chumaço de fox tail, girando-o para que ocupe todo o diâmetro do anzol. Deve sobrar um espaço para atar a cabeça feita com dubbing colorido. A técnica é dividir a linha e colocar o dubbing no meio das fibras e enrolar para que fique bem volumoso, enrolamos o dubbing passando por cima dos olhos de metal e fazemos o nó final. Depois puxamos as fibras de dubbing deixando elas bem soltas, depois penteamos para trás com uma pequena escova. Como podemos ver no vídeo a mosca é muito fácil e rápida de fazer.(http://www.youtube.com/watch?v=HxhNL5sR2w0)

Receita
Anzol: haste curta (Gamakatsu octoppus nº 8 ou 6 )

Olhos de metal (opcional)
Cristal Flash, dica: combinar a cor coma cabeça

Fox tail para a asa do streamer , cor natural.

Dubbing de raposa colorido para a cabeça




Creio que com estas moscas há várias espécies para pescar. Acho possível usar na pesca do bass, do robalo e em anzóis maiores podemos tentar os tucunarés. Até podemos tentar com as trutas patagônicas em ambientes onde os tamanhos e a voracidade ajudam para o uso de streamers. Espero que consigam fazer algumas e que tenham uma ótima pesca.
Um abraço, Eduardo Ferraro.